Olá pessoas...
Quase 15 dias sem passar por aqui, e mesmo assim, passo rapidamente para não alongar ainda mais a minha ausência em meu próprio Blog!
Comecei a preparar uma reflexão sobre o final das Olimpíadas, o desejo do Brasil em sediar em 2014, os investimentos (ou a falta deles), mas como ainda não cheguei a uma conclusão para podermos provocar um fórum por aqui, vou deixar mais um texto antigo, também do início da faculdade em 2004.
Mas esse é meu! Um exercício proposto pela mesma professora de Prática de Leitura e Produção de Texto (Milena Castro). Utilizamos algumas fotografias para o desenvolvimento da criação do texto...
Utilizei muita música, será que conseguem identificá-las??
E devo dizer que esse texto é "ficção", mas qualquer semelhança com fatos ou conversas ocorridas não terá sido mera coincidência!
==========================
Páginas em Branco
por Gisele Franchini
"Aquele dia estava frio e chuvoso. Eu observava atentamente os movimentos de seus cabelos contra o vento, refugiado embaixo da cobertura de lona que protegia os cães perdidos em noite escura. A água da chuva batia na vidraça da sala e escorria em direção à boca de lobo, no final da rua. Fora a nossa primeira discussão.
Não havia luz suficiente e, admirando aquela lembrança em minhas mãos, noto que o encanto do primeiro olhar já não existia mais. Era apenas o começo.
Nas folhas mais adiante, ainda lavadas pelas águas de março, guardo com carinho o que viria a ser o símbolo que definiria a razão pela qual tantas vezes decidimos recomeçar, um pequeno pedaço de papel com os dizeres 'É preciso valer a pena', registrado numa conversa onde detalhávamos os desencontros de nossas vidas.
Ao meu lado, nessa mesma página, te vejo feliz. As margaridas se perdem diante de tanto brilho e graça que o teu sorriso proporciona, me contagiando e permitindo um breve esquecimento da dor que tanto me toma. É apenas o começo.
Em cada folha virada nesse álbum de memórias, faço uma viagem de alegrias e tristezas. Sinto saudades de momentos que não vivi, momentos esses que não voltam mais. Como é possível?? Não sei. É o começo.
Encontro-me novamente entre essas margens e estou feliz. Você já não estava mais comigo e, embora desconheça o seu destino daquele dia, a angústia ganha proporções diante daquela imagem, me afogando num mar de culpa e remorso pelo que deixei de fazer. Foi o começo.
As lembranças vão passando diante dos meus olhos, me arrancando risos, suspiros e lágrimas. O desespero vai tomando conta do meu cérebro, minhas mãos ficam trêmulas e a respiração ofegante, à medida que os últimos registros juntos vão se aproximando.
Páginas em branco e folhas arrancadas são os únicos vestígios que me sobram. Alicerces falsos de uma certeza que não tenho. É o fim??
O desejo de um novo recomeço está presente em minha alma, mas o nosso reencontro é incerto pelo destino. A dor é um desequilíbrio mortal que me corrói perante essas páginas sem cores e sem vida. É o fim."
2 comentários:
Meu, o legal de ler esse seu texto antigo é que se torna possivel visualizar a Gi de 2004, embora a essencia seja a mesma, mudanças sempre existem.
Deu um gostinho de saudade!
Gica... já se vão quase 10 dias sem postar. Escreve mais??? Aliás, escreva muito!
Beijos.
Na Ni No Nu Nê Nadadora.
Postar um comentário