Nesta última semana um
caso me chamou demais a atenção e me motivou a voltar escrever neste espaço:
dois amigos foram formalmente ameaçados de processo por danos morais (!!) e
crime virtual (!!) caso não retirassem de suas páginas pessoais uma foto feita
de um jornal – distribuído gratuitamente num evento – que continha um erro de
português. Pasme!! Uma das formas de tentativa de intimidação foi feita por
meio de um telefonema ao empregador de um destes meus amigos. Pretensão demais
alguém achar que pode controlar o que cada pessoa posta em sua página pessoal
em sites de relacionamento, não?
Entendo que a internet
é um espaço livre e que, respeitando os direitos do próximo, pode ser uma fonte
rica de aprendizado. Veja: no caso do erro de português no jornal – repito,
distribuído gratuitamente e à disposição de todas as pessoas – se o dono do
veículo que produziu o material tivesse permanecido “de boa”, assumido o erro e
colocado como meta não repeti-lo, a disseminação da foto teria parado em um ou
dois compartilhamentos e o assunto se encerraria ali. Se o dono do veículo, em
vez de fazer ameaças sem fundamentos – neste ponto peço ajuda ao meu noivo - e
advogado – que explica: “Danos Morais” é configurado quando algo prejudica a
honra, privacidade, intimidade ou nome. (Não havia menção de nomes ou imagem da
pessoa física, apenas do jornal. Não havia sequer ridicularização do jornal, apenas
do erro de português!)... Completando o raciocínio: se o proprietário tivesse
tomado uma postura de solicitar a retirada da imagem porque foi um erro que
eles lamentavam e gostariam de evitar que se propagasse ainda mais, perfeito.
Mas não! Há pessoas que têm a pretensão de achar que podem controlar e
intimidar o próximo porque se escondem atrás de um status de veículo de
comunicação. Lamentável.
Por que as pessoas simplesmente não aprendem com o próprio erro? Já pensou se a Veja fosse ameaçar todo mundo que fala sobre a ética de seus profissionais? Talvez esse não seja um bom exemplo, mas se o “Jornalismo de Depressão” for ameaçado por todos os veículos de comunicação que erram e ganham espaço no perfil, danou-se!
Meu noivo ainda
destaca que em algumas cidades, veículos de comunicação que expõem erros
gramaticais grotescos em outdoors, por exemplo, são multados! Feliz aquele que
tem sua falta de atenção exposta apenas em perfis pessoais de redes sociais!!
Querer intimidar e processar pessoas que compartilham imagens de materiais
PÚBLICOS porque se sente ofendido por ter errado e alguém ter notado, tem
limite.
Gisele Franchini –
jornalista que já errou e aprendeu. Que ainda errará e aprenderá novamente.
