Contam as histórias que Chico Xavier costumava ter em cima
de sua cama um cartaz com os dizeres “Isso também passa”. Questionado, ele
dizia que era para que, quando estivesse passando por momentos ruins, lembrasse
que aquilo estava acontecendo por algum motivo e que iria passar, inclusive
quando ele estivesse muito feliz. O cartaz o fazia refletir que ele não deveria
deixar tudo para trás e se deixar levar.
Não tenho um cartaz
sobre minha cabeça e menos ainda a força que Chico tivera. Minha mente trabalha
incansavelmente em busca de algo que a mantenha equilibrada. É assim com minhas
responsabilidades, meus desafios, meus trabalhos e aprendizados, mas nem sempre
o Tum-tum-tum, meus instintos ou minhas estórias conseguem acompanhar esta
busca pelo equilíbrio e assimilar verdadeiramente que tudo passará. Erro muito
comigo mesma. Ando errando até mais do que o normal.
Sou de momentos... Sou diferente. Tenho em minha herança
genética a memória afetiva que não me deixa esquecer o que sinto, o que senti
e, ouso dizer, o que ainda sentirei. Morro sozinha e ressurjo todos os dias, se
assim o que chamo de “inconsciente” deixar. Deixo o “tudo bem” sair com
facilidade da boca, mas quem conhece meu tom, meu jeito, e meu olhar meio
torto, sabe entender em qual dos momentos do “isso vai passar” estou.
Eles vieram me socorrer. Um grito silencioso que há tempos
estou produzindo. Vieram me fortalecer, mesmo que por alguns instantes. Se tudo
realmente passa, só quero que passe logo para viver esse final de semana todos
dos dias, em todos os lugares, em todos os meus ambientes.
Se sempre fui inteira, hoje me sinto como pequenos pedaços
perdidos. Quero que devolvam e aceitem o que sou. Cheia de defeitos, cheia de
angustias. Só quero sentir-me no controle novamente. No controle do que sinto.
No controle do que me faz bem ou mal. Chega de enfrentar demônios. Chega de
enfrentar a minha própria mente. Chega de dar valor ao que não me faz bem.
Quero minha válvula de escape. Quero acordar sem medo. Eu quero.
